Banda da semana

Phoenix – “Lasso”


Dois sóis

Como se

o sol

fosse

possível

ser dois

sóis:

essa

mulher

(faz

sol

por acaso)

é um

corpo

de luz

no centro

do dia.

* Fabrício Corsaletti



O jornalista que caga textos

Fiz uma conta por cima e concluí que escrevi, nos últimos dez dias, quase 100 mil caracteres… Meu TCC tinha uns 180 mil caracteres e demorei um ano para fazer no aperto.

Eu pergunto: eu sou mais ágil hoje ou os textos são piores e por isso mais rápidos de fazer? Acho que esse é o grande problema dos dias de hoje: muita quantidade, pouca qualidade…  Como a maioria dos meus colegas de profissão, tornei-me um jornalista que caga textos…


Banda da semana

The Kills – “Last Day of Magic”


Retorno

– Após sete dias volto da Itália com um sentimento bom, mas ao mesmo tempo estranho. Uma sensação de que a realidade é feita de várias camadas. É como se o André que estava na Itália fosse outro… É isso: descobri uma nova pessoa. Foi mais uma daquelas experiências revolucionárias que andam acontecendo na minha vida desde que cheguei a São Paulo.

– Tenho uma teoria de que o tempo não passa de uma impressão. Ele não existe, nós apenas o inventamos e seu combustível é a intensidade com que sentimos as coisas. Minha teoria se confirmou durante o vôo de ida e durante toda minha estada na Itália. Primeiro, o fuso-horário é uma prova de que viagem no tempo não é uma bobagem. Segundo, que ninguém vai me convencer de que eu fiquei apenas sete dias fora. Sério, minha impressão foi de pelo menos três semanas.

– Coisas estranhas sobre a Itália: primeiro que em Milão as pessoas estacionam os carros no meio da calçada. É um absurdo, vi carros parados em cruzamentos na transversal. Segundo, que o pólen das flores sobrevoa a cidade toda. Muita gente tem alergia, quem não tem aproveita a beleza do fênomeno.

– Bolonha é uma cidade inacreitável. Pra começar as calçadas são cobertas, as pessoas não tomam chuva nunca. Outra coisa, ela é toda medieval. Nunca vi tantos arcos na vida.

– Rimini é uma cidade de praia. A diferença é que a praia tem campo de bocha e passarelas de concreto para não sujar o pé. Além disso, o mar brasileiro é mil vezes mais bonito. Foi lá que nasceu Felini e é lá que ele está enterrado. Nas vilazinhas no entorno da cidade, os cenários dos filmes dele…

– O italiano come por prazer, nós comemos para sobreviver. É uma diferença de cultura ou de amadurecimento. Eles não tem pressa na mesa, jantares muito divertidos de cinco horas pra mais, com vinhos, entrada, prato principal, sobremesa, café, licor e cigarro. Nunca comi tão bem na vida. Na verdade, senti que era a primeira vez que estava tendo uma experiência gastronômica de verdade. Confesso que é muita sorte ser convidado para uma imersão na dieta mediterrânea.

– Conheci espanhóis, norte-americanos, argentinos, franceses e italianos. Teve um momento em que todos estavam numa roda falando da vida. Somos todos a mesma bosta: as mesmas aflições, os mesmos vazios, os mesmos medos.

– Eu acho difícil quando alguém me pergunta como foi de viagem. Sei lá. Entra no ramo do indizível. Não importa o que eu falo, nada vai transmitir o que eu senti.

– Após o retorno, estou fodido. Quatro matérias para escrever em uma semana, uma revista para fechar e 9 textos sobre contos literários russos para entregar para a Bravo! até o começo de junho. Tudo tem seu preço…


Lá vou eu…

Nos próximos sete dias estarei em Milão, Bolonha e Rimini, na Itália. De novo afirmo: escolhi a profissão menos errada. Só como jornalista um caipira de Jundiaí que nunca saiu do Brasil faz uma primeira viagem internacional dessa. O melhor é que vou para fazer um curso e participar de um roteiro gastrônomico. Dizem que Bolonha e Rimini estão entre as cinco melhores cidades do mundo para se comer. Então tá, né…

A única dor foi perder o ingresso do show do Oasis, que já estava comprado. Mas diante de um oportunidade dessa acho que vou esquecer rapidinho… Ainda é difícil acreditar que vou conhecer a Europa…