Arquivos para a Categoria ‘Símbolos’

Comentários sobre Madonna

Dezembro 21, 2008

- O tal DJ que abriu os shows é tão bom quanto qualquer idiota que consegue apertar o play de um rádio.

- O destaque do show são os efeitos. O diretor de arte deveria subir ao palco para ser aplaudido. Impecável. Em alguns momentos não dá para acreditar no que se está vendo.

- Os arranjos das músicas são completamente diferentes das originais. “Vogue”, por exemplo, fica quase irreconhecível. A melhor do show foi “Borderline”: arranjo simples com guitarras pesadas e a voz natural e desafinada de Madonna.

- O excesso de playback irrita. Mas, convenhamos, todo mundo sabe que é impossível pular, dançar, rastejar no chão, fazer caretas e cantar afinado ao mesmo tempo. O bom é que ela não tenta enganar o público, deixa claro quando não é ela cantando.

- Na hora de “Like a Prayer” o estádio literalmente balançou. Nunca vi tanta gente feliz ao mesmo tempo.

- Como pode uma mulher de 50 anos ter mais fôlego do que eu?

- Além da importância de Madonna para a construção da personalidade feminina, ficou claro no show a influência dela para os homosexuais. Nunca vi tanta bicha feliz junta. Ela realmente é um símbolo para eles. Achei legal essa identificação. Mostra que em algumas coisas evoluímos: em outras épocas todos seriam queimados na fogueira.

- Apesar da música não me agradar tanto, é um evento para contar para os netos.

- Agradeço ao meu amigo Gui pelo ingresso.

Obama e as simbologias

Novembro 5, 2008

A vitória de Obama, mais do que qualquer coisa, é simbólica. E simbologia é importante, já que é ela que dá sentido à realidade. Um negro ser presidente em um país historicamente racista e conservador tem força simbólica. Um candidato que discursou a favor do estabelecimento da paz e da quebra das barreiras étnicas, sociais e políticas do mundo também. Mas, acima de tudo, a derrota deprimente de Bush, o presidente norte-americano mais impopular da história, é de uma importância incrível para a nossa e as futuras gerações. Desaprovar guerras, conservadorismos, egocentrismos e preconceitos é de uma força simbólica incrível, mesmo que não funcione tão bem na prática.

A importância da vitória de Obama não será medida pelo o que de concreto mudará no mundo e sim por tudo aquilo que ocasionará e já ocasionou sua vitória. O ar fica mais leve, os discursos das autoridades do mundo se amainam, inimigos dos Estados Unidos revêem suas opiniões, Hugo Chaves se dispõe ao diálogo e os jovens norte-americanos saem às ruas para comemorar. Quando o homem que comanda o país central para as relações do planeta não é mais um tapado, conservador e recalcado já se ganha muito. Esperança pode ser uma ilusão, mas não existem provas de que se iludir faça mal. Afinal, nossa realidade é construída apenas e tão somente por símbolos. Obama, hoje, é o mais importante deles.