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Poema do dia

Fevereiro 14, 2009

Depois de imensa dor, segue-se um sentimento formal -

Os nervos, feito lápides, severos -

Hirto, o coração se pergunta se, de fato, a suportou

Há séculos ou se foi ontem apenas?

Os pés andam mecanicamente em círculo -

Pelo chão, no ar, por onde for -

Uma trilha tosca,

Aberta ao acaso;

Uma serenidade de quartzo, como têm as pedras -

Essa é a hora de chumbo -

Que se relembra, se superada,

Como alguém enregelado recorda a neve:

Primeiro, o frio – depois, o torpor – e, então, o deixar-se ir -

Emily Dickinson

Quatro doses de Leminski

Dezembro 4, 2008

Cansei da frase polida

por anjos da cara pálida

palmeiras batendo palmas

ao passarem paradas

agora eu quero a pedrada

chuva de pedras

palavras distribuindo pauladas

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 No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,

gostaríamos

de ver nossos problemas

resolvidos por decreto

a partir desta data,

aquela mágoa sem remédio

é considerada nula

e sobre ela – silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,

maldito seja quem olhas pra trás,

lá pra trás não há nada,

e nada mais,

mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,

e aos domingos saem todos a passear

o problema, sua senhora

e outros pequenos probleminhas.

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Quando eu tiver setenta anos

então vai acabar esta minha adolescência

vou largar da vida louca

e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer

começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja

aproveitar as oportunidades

de virar um pilar da sociedade

e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência

quando acabar esta adolescência

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Não discuto

com o destino

o que pintar

eu assino