The Kills – “Last Day of Magic”
The Kills – “Last Day of Magic”
Acaba de chegar meu ingresso para o show do Radiohead no Rio de Janeiro. Peguei ele na mão e pensei: que puta loucura. Terei que faltar ao trabalho, fato devidamente já avisado ao chefe, gastarei 100 reais de passagem, mais uma grana de hospedagem e ainda volto para o show de São Paulo. Mais, porra, é minha banda preferida e ainda vou assistir ao show histórico de retorno dos Los Hermanos. Preciso de mais loucuras como essa…
Em homenagem, “Pyramid Song”. Ouça, preste atenção na letra e veja onde você vai parar…
I jumped in the river and what did I see?
Black-eyed angels swimming with me
a moon full of stars and astral cars
all the figures i used to see
all my lovers were there with me
all my past and futures
and we all went to heaven in a little row boat
There was nothing to fear and nothing to die
I jumped in the river
black-eyed angels swimming with me
a moon full of stars and astral cars
all the figures i used to see
all my lovers were there with me
all my past and futures
and we all went to heaven in a little row boat
there was nothing to fear and nothing to doubt
there was nothing to fear and nothing to doubt
there was nothing to fear and nothing to doubt
there was nothing to fear and nothing to doubt
E o melhor show internacional do ano vai para REM e Bob Dylan (absolutamente empatados). Logo atrás Jesus and Mary Chain, Interpol e Young Knives.
O melhor show nacional foi, como sempre, do Guinga. Mas logo atrás coloco Junio Barreto (Studio SP), Projeto Coisa Fina (Studio SP) e Du Amor (Studio SP).
- O tal DJ que abriu os shows é tão bom quanto qualquer idiota que consegue apertar o play de um rádio.
- O destaque do show são os efeitos. O diretor de arte deveria subir ao palco para ser aplaudido. Impecável. Em alguns momentos não dá para acreditar no que se está vendo.
- Os arranjos das músicas são completamente diferentes das originais. “Vogue”, por exemplo, fica quase irreconhecível. A melhor do show foi “Borderline”: arranjo simples com guitarras pesadas e a voz natural e desafinada de Madonna.
- O excesso de playback irrita. Mas, convenhamos, todo mundo sabe que é impossível pular, dançar, rastejar no chão, fazer caretas e cantar afinado ao mesmo tempo. O bom é que ela não tenta enganar o público, deixa claro quando não é ela cantando.
- Na hora de “Like a Prayer” o estádio literalmente balançou. Nunca vi tanta gente feliz ao mesmo tempo.
- Como pode uma mulher de 50 anos ter mais fôlego do que eu?
- Além da importância de Madonna para a construção da personalidade feminina, ficou claro no show a influência dela para os homosexuais. Nunca vi tanta bicha feliz junta. Ela realmente é um símbolo para eles. Achei legal essa identificação. Mostra que em algumas coisas evoluímos: em outras épocas todos seriam queimados na fogueira.
- Apesar da música não me agradar tanto, é um evento para contar para os netos.
- Agradeço ao meu amigo Gui pelo ingresso.
Oasis – Champagne Supenova
Cause people believe that they’re
Gonna get away for the summer
But you and I, we live and die
The world’s still spinning round
We don’t know why
Why, why, why, why
Estarei no Rio de Janeiro dia 20 de março, provavelmente sozinho, e dia 22 em São Paulo, provavelmente muito bem acompanhado. Não poderia deixar de ir em qualquer um dos dias, já que o Radiohead tem a fama de trocar sempre de set. Não dá para perder uma banda que revolucionou o modo de fazer rock na década de 90 e a forma de comercialização fonográfica no ano passado. Para esquentar, “Life In a Glasshouse” (música pouco conhecida que eles não vão tocar). Quem conseguir definir e rotular essa música de forma convincente dentro de algum gênero musical ganha os dois ingressos… Tente a sorte!
The Vines – Ride
Passava das nove da noite de segunda-feira quando recebi a ligação do meu amigo Helder dizendo que tinha credenciais para o primeiro show do R.E.M em São Paulo. Sai da aula de inglês, fui correndo para casa, tirei a fantasia de trabalho e coloquei jeans, tênis e camiseta. Encontrei com o Helder 21:30 e pegamos um táxi até o Via Funchal. Chegamos a tempo de tomar uma cerveja na porta e graças a Deus perdemos o show do Wilson Sideral. Depois disso, todas as palavras que seguem não têm força para expressar o que é o R.E.M no palco.
Tudo bem, experiência é importante. Mas mais do que isso, saber envelhecer bem, com classe e jovialidade, é o ingrediente principal. Raras são as bandas que podem se orgulhar de não pararem no tempo ou de não bancarem o ridículo depois de décadas na estrada. O R.E.M é uma das exceções da regra: pulam, dançam, fazem rock, mas não se caracterizam nem como dinossauros nem como decadentes metidos a descolados. Eles simplesmente sobem no palco e fazem música.
O impressionante das duas apresentações foi a força sonora absurda que surgia do palco. O som estava alto, muito alto. Pois é isso, um show de rock é um grito para despertar aqueles que dormem. Se nossa geração tem algum inimigo é a falta de paixão pelas coisas e pessoas. O show do R.E.M é uma catarse para sair da letargia. Michael Stipe dançando, pulando, cantando e sorrindo é a imagem do homem de quase 50 anos que envelheceu bem. Ele não é um moleque metido a rock star com uma garotinha(o) de 20 anos a tira colo nem um velho chato e emburrado: ele é Michael Stipe, vocalista do R.E.M, gay assumido e politicamente ativo sem ser chato como o Bono. E que puta vocalista: uma das melhores atuações ao vivo que já tive a oportunidade de assistir.
O show, basicamente, teve cinco músicas do novo e excelente álbum Accelerate. O resto, uma enxurrada de clássicos. Era como receber uma bofetada atrás da outra sem tempo para respirar. Tomava-se o primeiro tapa e, em seguida, já vinha outro na face oposta. Um atrás do outro, sistematicamente. Fica difícil escolher uma preferida. “Drive”, “Electrolite”, “Bad Day” e “Orange Crush” foram algumas que quase me fizeram chorar. “Everybody Hurts”, a música mais triste da história, arrancou lágrimas de metade das sete mil pessoas presentes.
E a coisa esquentou de verdade quando a banda tocou sucessos como “Imitation Of Life”, “The One I Love”, “It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)”, “Losing My Religion” e “Man On The Moon”. A facilidade dos refrões marcantes fazia com que o público quase cobrisse a voz de Stipe. Se isso não aconteceu, foi pela absurda massa sonora vinda do palco. Gritar “I Feel Fine” com todas as forças diante do fim do mundo é uma experiência maravilhosa. Na primeira noite, antes do bis, o público entrou em transe, batendo os pés no chão e gritando com todas as forças. Vi pessoas tapando os ouvidos por não suportarem o barulho. Incrível!
Mais do que um show, o R.E.M proporcionou aos que estiveram no Via Funchal uma experiência de intensidade sem limites. Um momento, pelo menos para mim, histórico. Em tempos em que a própria história parece recomeçar com a eleição de Obama (festejada por Stipe duas vezes durante os shows), a apresentação do R.E.M representa os bons motivos que ainda temos para viver e acreditar em alguma coisa…
Rápidas impressões dos shows que assisti:
- Jesus and Mary Chain: é bem pessoal, admito, mas foi o melhor show da noite. Se eles tivessem tocado apenas “Head On” já valeria o ingresso. Achei incrível como o vocalista Jim Reid continua segurando bem as pontas em cima do palco. O engraçado é que a maioria das pessoas presentes não conhecia a banda, eu parecia um E.T cantando “Happy When It Rains”. Faltaram apenas as músicas do meu álbum preferido: Stoned & Dethroned.
- Spoon / Breeders: A apresentação do Spoon foi impecável: rock direto e sem rodeios. Assisti apenas três músicas do Breeders, mas já deu pra sentir que fizeram o show mais enérgico e simpático da noite.
- Bloc Party: A banda fez um show muito bom no palco principal. Fiquei em dúvida se veria o Bloc Party ou o Breeders, mas a curiosidade foi maior. Além disso, achei o último disco, Intimacy, muito bom. Aprovado.
- Kaiser Chiefs: sempre considerei o Kaiser Chiefs como uma banda extremamente divertida, nada mais. E eles não decepcionaram, mostrando uma presença de palco muito intensa. Mas a energia característica das músicas se perde um pouquinho ao vivo. Mesmo assim, foi um puta show.
- Offspring: Suportei três músicas. A banda é uma merda, chega a ser engraçado ver um tiozão cantando músicas de adolescentes de 15 anos com toda a vontade do mundo.
The Beach Boys – “God Only Knows”