A vitória de Obama, mais do que qualquer coisa, é simbólica. E simbologia é importante, já que é ela que dá sentido à realidade. Um negro ser presidente em um país historicamente racista e conservador tem força simbólica. Um candidato que discursou a favor do estabelecimento da paz e da quebra das barreiras étnicas, sociais e políticas do mundo também. Mas, acima de tudo, a derrota deprimente de Bush, o presidente norte-americano mais impopular da história, é de uma importância incrível para a nossa e as futuras gerações. Desaprovar guerras, conservadorismos, egocentrismos e preconceitos é de uma força simbólica incrível, mesmo que não funcione tão bem na prática.
A importância da vitória de Obama não será medida pelo o que de concreto mudará no mundo e sim por tudo aquilo que ocasionará e já ocasionou sua vitória. O ar fica mais leve, os discursos das autoridades do mundo se amainam, inimigos dos Estados Unidos revêem suas opiniões, Hugo Chaves se dispõe ao diálogo e os jovens norte-americanos saem às ruas para comemorar. Quando o homem que comanda o país central para as relações do planeta não é mais um tapado, conservador e recalcado já se ganha muito. Esperança pode ser uma ilusão, mas não existem provas de que se iludir faça mal. Afinal, nossa realidade é construída apenas e tão somente por símbolos. Obama, hoje, é o mais importante deles.