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Calem-se!

Fevereiro 17, 2009

Observar é o segredo

Olhar, ouvir e deixar de falar

Quem muito verbaliza não sente

Quem escuta, pressente e entende

Aprendi que a palavra é uma arma

Vulgarizá-la é não saber pensar

A medida certa é a escassez

É a frase curta que desorienta

A missão da palavra é assombrar

Não soar como um tiro pro ar

Cada palavra é sagrada

Cada frase é decisiva

Se o objetivo não é subverter

Existe o silêncio para preencher

Abram os ouvidos e calem-se!

Desconectado

Setembro 10, 2008

Há quatro meses não ligo a televisão de casa. Não é idealismo, odeio idealismos. A questão é que, por falta de tempo e de interesse, fui me distanciando cada vez mais. Como não tenho TV a cabo, penso que a Internet cumpre com tranqüilidade o papel de me entreter. Seleciono nela diversão e informação ao meu gosto e não preciso depender da programação. Já havia passado pela experiência de ficar muito tempo sem assistir televisão, mas isso foi em um momento da minha vida em que eu estava – e admito que foi ótimo – desligado de tudo. Agora, consciente, consigo perceber a experiência mais nitidamente.

A primeira coisa é perder assunto com gente desinteressante. Pessoas que só falam de determinado programa, comercial ou capítulo de novela. Não existe possibilidade de diálogo: ela pergunta e eu simplesmente digo que nunca ouvi falar daquilo. Parece impossível, mas não sei o nome da novela das oito, não assisti nem um minuto da propaganda eleitoral (a não ser a campanha de candidatos esdrúxulos que vi na Internet – convenhamos, a unica coisa aproveitável desse circo) e perdi quase tudo que se passou na Olimpíada de Pequim.

Não sei nada sobre o último escândalo de Brasília ou quando estréia o próximo Big Brother. Jornal Nacional, pra mim, é mais inacessível que panfleto de sindicato. Tornei-me um completo tapado no mundo televisivo. Não vejo mais nada de estúpido que passa na MTV, nem os cenários bregas do programa Silvio Santos. Não tenho mais medo de São Paulo, pois passo longe de programas policiais, não vejo mais temas irrelevantes serem tratados como importantes e até perco as ótimas piadas do CQC. A política não se transformou em mera fofoca no meu mundo: ela simplesmente desapareceu. A realidade passou a ter proporções muito mais abrangentes.

Sinto que passei a ser mais protagonista da minha vida. A vivê-la de fato e não me espelhar em nada para decidir o que devo fazer, como devo agir e o que é ser um vencedor ou um derrotado. Percebi que não assistir TV é abrir mão de uma vida que não existe para viver a que realmente existe. É quase a mesma coisa que deixar de ser viciado em drogas ou esquecer uma paixão doentia: os olhos se abrem para outras perspectivas. Quase como se a cultura alternativa se transformasse em mídia de massa e a mídia de massa se transformasse em cultura alternativa. Percebi que quem cria a realidade somos nós, mais ninguém. Com a Internet basta escolher. É a verdadeira e unica democracia possível. Percebi tudo isso mesmo ficando, no passado, pouco tempo sentado no sofá mudando de canal. Imagine as pessoas que passam horas e horas na frente da tela?

Quem reclama de que só passa porcaria na televisão tem que aprender que ela é descartável. Você, só você, pode escolher o que quer ou o que não quer. Fico com a Internet, com o meu DVD, e tenho total liberdade de me entupir com o entretenimento que eu escolher. Quando a Internet substituir de vez a televisão (isso já seria possível com um modelo de TV digital decente) e as pessoas perceberem o poder que têm em mãos algo muito maluco vai acontecer… Eu estou ansioso para saber o que…