Arquivos para a Categoria ‘Desejos’

Exílio de Carnaval

Fevereiro 20, 2009

Serão cinco dias de descanso. São exatos seis anos que não tenho férias e não paro de trabalhar. São seis anos sem descanso. Todos os meus feriados, férias coletivas de fim de ano ou folgas nesse período foram queimados com viagens loucas, bebedeiras e tudo o que destrói o corpo. Esse carnaval será diferente. Considero como uma freada. Desde que cheguei em São Paulo estou em um ritmo alucinante. Preciso descansar, preciso me exilar. Mas, claro, bons filmes, livros e companhia são elementos necessários para isso. Na verdade, faz tempo que não me empolgo tanto com um Carnaval…

Obs: Como não sou de ferro, ontem fui a um pré-carnaval no Studio SP. Cérebro Eletrônico (genial) tocando marchinhas e Chá de Boldo (não posso falar pois não vi inteiro).

Calem-se!

Fevereiro 17, 2009

Observar é o segredo

Olhar, ouvir e deixar de falar

Quem muito verbaliza não sente

Quem escuta, pressente e entende

Aprendi que a palavra é uma arma

Vulgarizá-la é não saber pensar

A medida certa é a escassez

É a frase curta que desorienta

A missão da palavra é assombrar

Não soar como um tiro pro ar

Cada palavra é sagrada

Cada frase é decisiva

Se o objetivo não é subverter

Existe o silêncio para preencher

Abram os ouvidos e calem-se!

As certezas e incertezas de Leila Diniz

Outubro 30, 2008

Nos últimos meses foram lançados dois livros biográficos de uma das mulheres brasileiras mais importantes do século XX. “Leila Diniz – Uma revolução na praia”, de Joaquim Ferreira dos Santos, e a reedição de “Toda mulher é meio Leila Diniz”, de Mirian Goldenberg, confirmam a relevância dela para a formação da personalidade feminina nos dias de hoje. E não tem como negar: uma frase de Leila Diniz é mais libertadora para as mulheres do que a soma de todas as temporadas de Sex and the City.

Leila chocava o País na época da ditadura por ter sacado que o livre-arbítrio é um direito do ser humano e não apenas dos homens. Falar os palavrões que lhe vinham na cabeça, transar com todo mundo, mas não com qualquer um, passear grávida de biquíni nas praias de Ipanema e deixar-se fotografar amamentando: coisas normais nos dias de hoje e vistos como absurdos nas décadas de 60 e 70.

O maravilhoso em Leila Diniz é que ela de fato era mulher, diferente de algumas que se dizem modernas, mas que só se portam assim para se parecerem com os homens e serem respeitadas como eles. Estou cansado de ver moças com posturas libertárias: não casam, trabalham 14 horas por dia, são donas de si, mas só querem ter um cargo idiota em uma grande empresa para pisar em seus funcionários. Ou outras, que saem trepando com todo mundo e com qualquer um para se sentirem mais gostosas. Leila, não. Como ela mesma dizia, trepava com todo mundo, mas não com qualquer um (repare na riqueza dessa metáfora, serve para tudo). Ela era moderna, libertária e inteligente. Os dois primeiros adjetivos não servem de nada sem o último.

Provavelmente, se ainda viva, Leila seria a típica mulher com quem eu teria um caso. Sairíamos durante alguns meses, nos divertiríamos absurdamente e teríamos dois destinos: ou eu me apaixonaria e quebraria a cara ou nós dois nos apaixonaríamos e viveríamos uma relação doentia. De qualquer forma, eu me apaixonaria e não daria certo.

O grande desafio deixado por Leila Diniz para as mulheres não é o de ser como ela. Praticamente todas são um pouco Leila hoje; o difícil era ter sua personalidade nos anos 60 e 70. O verdadeiro desafio imposto por Leila é viver e ter coragem, como ela, para concretizar o que se acredita independente de convenções (até o ideal de mulher livre, hoje, se tornou uma convenção, por isso mulheres ironicamente machistas me atraem). Para saber o que se precisa é necessário ser inteligente, para concretizar esses reais desejos é preciso ser Leila Diniz. Libertem-se garotas, se querem transar com todo mundo, que não seja com qualquer um. Cuidado com as armadilhas: ser uma mulher à frente de seu tempo está muito além das aparências – é preciso ter algumas certezas e muitas incertezas bem resolvidas.

Declaração do homem desesperado

Setembro 19, 2008

Quais silenciosas palavras se sustentam quando as pronuncia? Quais revelações plausíveis são ditas com um único olhar? Cada afirmação, cada abstinência, é tudo que desejo. É a vontade de dizer e não dizer. De simplesmente compartilhar segredos e carícias. Conhecer por completo todos os seus desejos, agarrar seus cabelos com força e, até o limite de minha serenidade, recostá-la junto ao meio peito. Deitar-me sobre ti sem reservas, abraçá-la como se abraça o ar. Sentir como se o vento cortasse meu rosto e o sol me envolvesse por inteiro. Beijá-la sem pressa, sem exaltações desnecessárias. Alcançar, enfim, a tranqüilidade que tanto aspiro. O reconforto diante de um mundo em que não mais acredito. A construção de um sentimento e não apenas o desespero da fuga momentânea. E, assim, leve, respirar na ausência de ar… Tornar a amar quando só resta desesperança… Sentir-me vivo diante da inexistência…

Sonhos irrealizáveis I

Agosto 27, 2008

1 – Assistir a um show do Queen como banda de abertura e os Beatles como atração principal.
2 – Entender por completo os sentimentos que as mulheres me inspiram.
3 – Sentar em uma mesa de bar com Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues, Jaime Ovalle e Paulo Leminski.
4 – Ser um beatnik em plena década de 1960.
5 – Sentar sozinho em um bar minúsculo em Nova York, envolto em espessas nuvens de fumaça, tomar uma garrafa de uísque e assistir Charlie Parker, Miles Davis e Dave Brubeck Quartet ao vivo.
6 – Ver a minha avó fumando e falando merda pelo menos mais uma vez.
7 – Ler todos os livros, escutar todas as músicas e assistir todos os filmes e séries que eu gostaria.
8 – Que fossemos todos menos míopes.

*Vivo para concretizar os realizáveis. Se alguém sentir vontade, comente sobre seus sonhos que nunca serão reais.