O que mais me impressionou nos últimos tempos foi um aperto de mão. Não foi bem um aperto de mão, foi um aperto de dedo. Estendi meu braço para Isabella e seus dedos quase inexistentes apertaram com força os meus. A intensidade aumentava conforme eu tentava me desvencilhar. Seus olhos azuis arregalados me olhavam como se quisessem me reconhecer. Após duas semanas e meia de ausência, ela precisava saber quem estava lhe oferecendo tamanha intimidade.
E foi assim durante todo o fim de semana, Isabella me observava como se eu fosse um enigma. Foram longas trocas de olhar. Ela, atenta, respiração tranqüila, curiosa para saber quem era aquele ser de barba com a expressão cansada. Percebi, ali, que nos entendemos no silêncio. Que nossa intimidade já é mais consolidada do que muitas das minhas relações verbalizadas. Nós nos amamos pelo olhar.
Deitada de lado, com os pés minúsculos e as pernas desenhadas por pequenas dobras de pele, adormeceu olhando pra mim. Dormi ao lado dela, não por estar com sono, mas por estar absolutamente em paz. Acordei, virei o rosto e lá estava ela: quieta, com a boca entreaberta e os olhos fixos em mim. Entreolhamos-nos por longos minutos. Me emocionei. Me emocionei, pois descobri que estava ali mais uma das coisas que fazem a minha vida valer a pena. E é sempre bom lembrarmos que ela vale alguma coisa…
