- O Rio de Janeiro continua me causando o mesmo impacto de sempre. Não sei, parece que aquela cidade tem um ar diferente que eu não consigo explicar. Andei de Copacabana ao Leblon a pé, parei no Arpoador na volta e fiquei sentado por mais de uma hora fumando, pensando e observando. Além de voltar renovado para São Paulo, ganhei uma coloração rosa graças ao sol castigante que fez na sexta.
- Uma cena me impressionou na praia de Ipanema. Aluguei um guarda-sol e uma cadeira e fiquei lá, sentado, tomando uma cerveja atrás da outra e olhando o movimento. Na minha frente se sentaram dois caras com um cachorro. Um negão com cabelo rastafari e um mais velho, cabelão branco, barba por fazer, expressão dura e vestindo uma calça jeans bem justa e suja. Eles acenderam um baseado, ficaram lá conversando e o cara de jeans fazendo carinho no cachorro. De repente, o cão saiu em disparada. O velho se levantou e começou a chamar desesperado pelo cachorro. Sua expressão dura se transformou em cara de abandono. O negão o confortava dizendo que o animal ia voltar. O velho, no entanto, ficou ainda mais preocupado. Não resistiu, largou o baseado no chão e saiu em disparada atrás do cão.
- Vi a mulher mais bonita do mundo na Praia de Ipanema. Ela sorria, pulava ondas, corria pelo mar e voltava para tomar sol. Fez isso umas cinco vezes. Nas cinco vezes eu a acompanhei com os olhos. Depois descobri que era uma espanhola.
- Foi por volta de nove e meia da manhã de sábado quando a recepcionista do albergue em que fiquei me acordou. Na porta, dois policiais militares. Existe maneira pior de ser acordado por uma mulher? Tinham roubado 500 euros, 200 doláres e 60 reais de um gringo que estava no meu quarto. Para se ter uma idéia da situação, tinham 11 gringos no meu quarto e eu era o único brasileiro. Ou seja, o principal suspeito. A polícia começou a revistar as malas e foi maconha saindo por todo lado. Só não encontraram na minha mochila. O brasileiro virou exemplo. Pensei comigo: ferrou, vão levar os 11 gringos para a delegacia. Que nada, os policiais passaram o quepe e levaram 50 reais de cada um para não “causar problemas”. Até o pobre coitado roubado teve que pagar. Após a “negociação”, um dos gringos virou pra mim e disse: “That´s the reason why I smoke”. Concordei com a cabeça…
O motivo
Bom, estava no Rio para assistir ao show do Radiohead. Vou dividir pelas três bandas e serei ridiculamente sucinto, pois estou morrendo de sono…
Los Hermanos: O som estava uma merda. Mas a banda é boa pra caralho ao vivo. Gostei muito mesmo. Pra falar a verdade, já valeria o ingresso só por eles.
Kraftewerk: que coisa maravilhosa. Sons e imagens perfeitamente sincronizados. Criativo até a última gota. É arte!
Radiohead: quem nunca foi a um show do Radiohead ainda não sabe verdadeiramente o que é um show.