Arquivo de Dezembro, 2008

Melhores do ano II

Dezembro 26, 2008

E o melhor show internacional do ano vai para REM e Bob Dylan (absolutamente empatados). Logo atrás Jesus and Mary Chain, Interpol e Young Knives.

O melhor show nacional foi, como sempre, do Guinga. Mas logo atrás coloco Junio Barreto (Studio SP), Projeto Coisa Fina (Studio SP) e Du Amor (Studio SP).

Comentários sobre Madonna

Dezembro 21, 2008

- O tal DJ que abriu os shows é tão bom quanto qualquer idiota que consegue apertar o play de um rádio.

- O destaque do show são os efeitos. O diretor de arte deveria subir ao palco para ser aplaudido. Impecável. Em alguns momentos não dá para acreditar no que se está vendo.

- Os arranjos das músicas são completamente diferentes das originais. “Vogue”, por exemplo, fica quase irreconhecível. A melhor do show foi “Borderline”: arranjo simples com guitarras pesadas e a voz natural e desafinada de Madonna.

- O excesso de playback irrita. Mas, convenhamos, todo mundo sabe que é impossível pular, dançar, rastejar no chão, fazer caretas e cantar afinado ao mesmo tempo. O bom é que ela não tenta enganar o público, deixa claro quando não é ela cantando.

- Na hora de “Like a Prayer” o estádio literalmente balançou. Nunca vi tanta gente feliz ao mesmo tempo.

- Como pode uma mulher de 50 anos ter mais fôlego do que eu?

- Além da importância de Madonna para a construção da personalidade feminina, ficou claro no show a influência dela para os homosexuais. Nunca vi tanta bicha feliz junta. Ela realmente é um símbolo para eles. Achei legal essa identificação. Mostra que em algumas coisas evoluímos: em outras épocas todos seriam queimados na fogueira.

- Apesar da música não me agradar tanto, é um evento para contar para os netos.

- Agradeço ao meu amigo Gui pelo ingresso.

Melhores do ano I

Dezembro 17, 2008

Ontem assisti Cassavettes tocando Beatles no Studio SP, de graça. Foi a prova definitiva de que o Projeto Cedo e Sentado foi a melhor opção de diversão deste ano. Perdi até as contas de quantas vezes fui. De graça, sempre com uma ótima banda e do lado da minha casa… Ano que vem tem mais.

Banda da semana

Dezembro 13, 2008

Oasis – Champagne Supenova

Cause people believe that they’re

Gonna get away for the summer

But you and I, we live and die

The world’s still spinning round

We don’t know why

Why, why, why, why

Uma proposta

Dezembro 11, 2008

De acordo com uma pesquisa realizada por neurocientistas da Universidade da Califórnia, a região do córtex pré-frontal, parte do cérebro fundamental para a resolução de problemas e para a criatividade, funciona de forma menos eficiente entre os mais pobres. Mas não é a alimentação inadequada ou qualquer outra defasagem propiciada pelo pouco dinheiro que afetam essa parte do cérebro. O problema é a falta de estímulo, a falta de exercício mesmo. A ausência de contato com opções de cultura – como livros, filmes, exposições e brincadeiras construtivas – fazem com que o córtex não se desenvolva. É puramente físico, assim como ocorre com um músculo que se atrofia com a falta de exercício.

Fiquei pensando ao ler essa notícia que boa parte da classe média e da elite brasileira, se fizessem o mesmo exame, apresentariam resultados desastrosos. Apesar da Internet, que nos mantém em contato com palavras e processos criativos a todo o momento, a preocupação cada vez menor das pessoas com cultura está formando gerações com o cérebro atrofiado.

A realidade é formada por palavras. São elas que dão algum sentido ao caos. Portanto, quem lê mais enxerga um espectro maior da vida. Quanto maior seu vocabulário, mais vivo você está, mais consciente de sua existência. Quem não tem contato nenhum com qualquer forma de arte perde essa noção de consciência e não vive como um ser pensante, apenas vegeta e acompanha o fluxo. A prova, física, está aí. O córtex pré-frontal vira uma ameixa seca.

Antes que os politicamente corretos chatos de plantão me apedrejem, não acho que um analfabeto seja um animal rastejante. Pelo contrário, alguns analfabetos apresentariam resultados melhores, pois muitos deles gostam de contar e ouvir histórias, isso já é um puta estímulo. A arte não se limita apenas ao que a elite intelectual impõe como tal. Pensei, dessa forma, em uma campanha para toda a população brasileira. Acompanhe a idéia:

Poderíamos criar propagandas na televisão aterrorizando as pessoas com essa história. Dizendo que se elas não lerem, não irem ao cinema e não apreciarem algum tipo de arte terão o córtex devastado por uma doença gravíssima. Seria uma gritaria geral: tomem seus remédios, tomem seus remédios! Não conheço nenhuma campanha de marketing melhor do que gerar medo, você conhece?

Seriam entregues livros nos postos de saúde pública. Campanhas por todo País com palestras e seminários. Machado de Assis, Kafka, Cecília Meireles e Hilda Hilst passariam a ser nomes comuns nas conversas populares. “Já li meus Goeths de hoje, um de manhã e o outro de noite”. James Joyce e Guimarães Rosa só com receita médica. Schopenhauer e Nietzsche seriam considerados faixa-preta: “Só em caso de vazio agudo e irreversível”.

Imagino um Doutor do interior de São Paulo indicando filmes surrealistas e sinfonias de Bethoveen para as próximas duas semanas, ao menos três vezes ao dia. Os lançamentos de novos antibióticos chegariam aos montes no mercado. Para testes em crianças africanas seriam enviados os livros e curtas de autores e diretores desconhecidos e pouco confiáveis. Paulo Coelho seria o que o Prozac e a aspirina são hoje: todo mundo acha que precisa. As coleções, almanaques e dicionários se assemelhariam aos coquetéis contra uma enfermidade fatal. Todos correriam às livrarias e sebos sedentos pela cura do esfarelamento do cérebro. A Livraria Cultura se tornaria fundamental para o PIB brasileiro. Indústrias e mais indústrias de produção cultural seriam erguidas. Multinacionais chegariam ao País. Dinheiro, muito dinheiro.

Alguns pacientes teriam de ser internados em bibliotecas públicas ou em salas de cinema especializadas. O Ministério da Cultura seria filiado ao da Saúde e receberia a mesma verba. As pessoas esqueceriam as outras doenças – que na verdade só existem na cabeça delas – e deixariam de gastar na farmácia. Dores de cabeça seriam curadas com visitas ao museu, estresse com noturnos de Chopin e impotência com algum pornô artístico. Todo pai, antes dos filhos pequenos viajarem, colocariam um livro pocket na bolsa para possíveis eventualidades. E o melhor: ninguém jamais teria uma overdose por excesso de medicamentos…

Sobre o tempo

Dezembro 10, 2008

 

“O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão

 O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção

Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós

Meu amor, o tempo somos nós”

 Jorge Palma

Radiohead: ingressos comprados

Dezembro 5, 2008

Estarei no Rio de Janeiro dia 20 de março, provavelmente sozinho, e dia 22 em São Paulo, provavelmente muito bem acompanhado. Não poderia deixar de ir em qualquer um dos dias, já que o Radiohead tem a fama de trocar sempre de set. Não dá para perder uma banda que revolucionou o modo de fazer rock na década de 90 e a forma de comercialização fonográfica no ano passado. Para esquentar, “Life In a Glasshouse” (música pouco conhecida que eles não vão tocar). Quem conseguir definir e rotular essa música de forma convincente dentro de algum gênero musical ganha os dois ingressos… Tente a sorte!

Quatro doses de Leminski

Dezembro 4, 2008

Cansei da frase polida

por anjos da cara pálida

palmeiras batendo palmas

ao passarem paradas

agora eu quero a pedrada

chuva de pedras

palavras distribuindo pauladas

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 No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,

gostaríamos

de ver nossos problemas

resolvidos por decreto

a partir desta data,

aquela mágoa sem remédio

é considerada nula

e sobre ela – silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,

maldito seja quem olhas pra trás,

lá pra trás não há nada,

e nada mais,

mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,

e aos domingos saem todos a passear

o problema, sua senhora

e outros pequenos probleminhas.

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Quando eu tiver setenta anos

então vai acabar esta minha adolescência

vou largar da vida louca

e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer

começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja

aproveitar as oportunidades

de virar um pilar da sociedade

e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência

quando acabar esta adolescência

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Não discuto

com o destino

o que pintar

eu assino

Banda da semana

Dezembro 1, 2008

The Vines – Ride