Banda da semana

Julho 2, 2009 by andretoso

Phoenix – “Lasso”

Dois sóis

Junho 18, 2009 by andretoso

Como se

o sol

fosse

possível

ser dois

sóis:

essa

mulher

(faz

sol

por acaso)

é um

corpo

de luz

no centro

do dia.

* Fabrício Corsaletti

Junho 14, 2009 by andretoso

O jornalista que caga textos

Junho 9, 2009 by andretoso

Fiz uma conta por cima e concluí que escrevi, nos últimos dez dias, quase 100 mil caracteres… Meu TCC tinha uns 180 mil caracteres e demorei um ano para fazer no aperto.

Eu pergunto: eu sou mais ágil hoje ou os textos são piores e por isso mais rápidos de fazer? Acho que esse é o grande problema dos dias de hoje: muita quantidade, pouca qualidade…  Como a maioria dos meus colegas de profissão, tornei-me um jornalista que caga textos…

Banda da semana

Maio 22, 2009 by andretoso

The Kills – “Last Day of Magic”

Retorno

Maio 19, 2009 by andretoso

- Após sete dias volto da Itália com um sentimento bom, mas ao mesmo tempo estranho. Uma sensação de que a realidade é feita de várias camadas. É como se o André que estava na Itália fosse outro… É isso: descobri uma nova pessoa. Foi mais uma daquelas experiências revolucionárias que andam acontecendo na minha vida desde que cheguei a São Paulo.

- Tenho uma teoria de que o tempo não passa de uma impressão. Ele não existe, nós apenas o inventamos e seu combustível é a intensidade com que sentimos as coisas. Minha teoria se confirmou durante o vôo de ida e durante toda minha estada na Itália. Primeiro, o fuso-horário é uma prova de que viagem no tempo não é uma bobagem. Segundo, que ninguém vai me convencer de que eu fiquei apenas sete dias fora. Sério, minha impressão foi de pelo menos três semanas.

- Coisas estranhas sobre a Itália: primeiro que em Milão as pessoas estacionam os carros no meio da calçada. É um absurdo, vi carros parados em cruzamentos na transversal. Segundo, que o pólen das flores sobrevoa a cidade toda. Muita gente tem alergia, quem não tem aproveita a beleza do fênomeno.

- Bolonha é uma cidade inacreitável. Pra começar as calçadas são cobertas, as pessoas não tomam chuva nunca. Outra coisa, ela é toda medieval. Nunca vi tantos arcos na vida.

- Rimini é uma cidade de praia. A diferença é que a praia tem campo de bocha e passarelas de concreto para não sujar o pé. Além disso, o mar brasileiro é mil vezes mais bonito. Foi lá que nasceu Felini e é lá que ele está enterrado. Nas vilazinhas no entorno da cidade, os cenários dos filmes dele…

- O italiano come por prazer, nós comemos para sobreviver. É uma diferença de cultura ou de amadurecimento. Eles não tem pressa na mesa, jantares muito divertidos de cinco horas pra mais, com vinhos, entrada, prato principal, sobremesa, café, licor e cigarro. Nunca comi tão bem na vida. Na verdade, senti que era a primeira vez que estava tendo uma experiência gastronômica de verdade. Confesso que é muita sorte ser convidado para uma imersão na dieta mediterrânea.

- Conheci espanhóis, norte-americanos, argentinos, franceses e italianos. Teve um momento em que todos estavam numa roda falando da vida. Somos todos a mesma bosta: as mesmas aflições, os mesmos vazios, os mesmos medos.

- Eu acho difícil quando alguém me pergunta como foi de viagem. Sei lá. Entra no ramo do indizível. Não importa o que eu falo, nada vai transmitir o que eu senti.

- Após o retorno, estou fodido. Quatro matérias para escrever em uma semana, uma revista para fechar e 9 textos sobre contos literários russos para entregar para a Bravo! até o começo de junho. Tudo tem seu preço…

Lá vou eu…

Maio 9, 2009 by andretoso

Nos próximos sete dias estarei em Milão, Bolonha e Rimini, na Itália. De novo afirmo: escolhi a profissão menos errada. Só como jornalista um caipira de Jundiaí que nunca saiu do Brasil faz uma primeira viagem internacional dessa. O melhor é que vou para fazer um curso e participar de um roteiro gastrônomico. Dizem que Bolonha e Rimini estão entre as cinco melhores cidades do mundo para se comer. Então tá, né…

A única dor foi perder o ingresso do show do Oasis, que já estava comprado. Mas diante de um oportunidade dessa acho que vou esquecer rapidinho… Ainda é difícil acreditar que vou conhecer a Europa…

Banda da semana

Abril 28, 2009 by andretoso

Blur – “Ultranol”

Obs: Caralho! Como eu gosto dessa música!

Coisas bizarras

Abril 26, 2009 by andretoso

Existe um local do wordpress em que você consegue ver quais termos as pessoas pesquisaram no Google para encontrar seu blog. Já vi coisas estranhas, pornográficas e absurdas. Mas hoje vi o termo mais bizarro de todos: “Me apaixonei pela minha própria irmã”. Puta merda, como o cara chegou no meu blog procurando por isso?

Impressões de Salvador

Abril 9, 2009 by andretoso

O Elevadorda Lacerda e, lá embaixo, o Mercado Modelo, onde visitei o primeiro restaurante baiano típico (existe desde 1925)

O Elevadorda Lacerda e, lá embaixo, o Mercado Modelo, onde visitei o primeiro restaurante baiano típico (existe desde 1925)

Apesar de ser a minha segunda visita à capital baiana, dessa vez fiquei mais tempo e conheci os principais pontos da cidade. Veja o que vi e senti:

- Faz calor pra caralho. Mas é engraçado, não é um calor seco e sufocante como o de Belém. É aquele calor de molhar mesmo, você nem percebe e suas costas se transformaram em uma cascata e seu cabelo está encharcado. Usar terno em Salvador deveria ser proibido por lei.

- Entrevistei Dada, a cozinheira brasileira mais famosa do mundo. O taxista me levou até a periferia (modo elegante de dizer favela) e eu entrei em um casebre. Roupas penduradas no teto do restaurante (por isso o nome Varal de Dada) e mesinhas de madeira decoravam o local. A “chef Dada”, que tem um triplex na Barra e uma caminhonete importada, é a pessoa mais simpática e espontânea que eu já entrevistei. Durante toda a conversa me chamou de negão e me beijou nas duas bochechas dizendo: “como você é bunito, negão”. Ela faz questão de não largar o ponto no meio da favela: vem gente do mundo inteiro para conhecer. Enquanto eu estava lá, chegou um repórter do New York Times.

- O Mercado Modelo representa em um só lugar tudo que a Bahia é. O lugar me marcou profundamente. Quadros, artesanato, instrumentos de percussão. Tudo junto e misturado. Tinha um monte de gringo encantado com o ritmo do lugar. É um lugar que pulsa… Engraçado…

- Nunca aceite uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim de um vendedor ambulante. Sério, você não vai conseguir escapar do assédio e deixará ao menos R$ 10,00 pra ele. É quase um assalto argumentativo.

- Quem é arquiteto tem que conhecer o Pelourinho. Nas faculdades, deveria ser parte obrigatória da grade curricular. Impressionante! O Elevador Lacerda é legal também.

- Ainda existem brancos, leia-se donos de restaurantes, que tratam as garçonetes (aquelas negonas vestidas de baiana) como escravas. Eu vi isso na Bahia, Estado com maior número de negros do Brasil. Vi também, na Universidade Jorge Amado, que quase não existem negros nos corredores. É um absurdo. Os babacas baianos são iguais aos paulistanos: molecada de carro importado dado pelo pai que pensa que é feliz.

- A gastronomia baiana, motivo de minha viagem, é das coisas mais incríveis desse mundo. A história dela é intrinsecamente ligada às tradições e religiões. Tudo se encaixa. Estou fazendo uma série de três reportagens, mas a vontade é escrever um livro. O candomblé é fascinante, sem ele não teríamos a comida baiana.

- Visitei o Maria de São Pedro, primeiro restaurante tipicamente baiano. Existe desde 1925. Enquanto conversava, o proprietário disse: “Neste local já se sentaram nomes como Jean Paul Sartre, Pablo Neruda e Orson Welles”. Então tá…